Contribuições Pedagógicas para a Educação Infantil

A metodologia freinetiana aponta um dinamismo distinto da educação tradicional, emergindo para o necessário e urgente Movimento da Escola Moderna, que atendesse aos anseios de indivíduos em correlação dialética para que se tornassem transgressores das imposições, com capacidades infinitas de atuação para ler o mundo, a começar pelo seu entorno. 

Fonte: Saci

Para tanto, vai além das propostas, em uma perspectiva anacrônica de ensino, no sentido de enaltecer uma organização escolar retrógrada e obsoleta como modelo a ser seguido. Tinha consciência da dinâmica existente entre as mudanças ocorridas na sociedade e o quanto isso implicaria na formação de sujeitos que atuassem na mesma. Nesse sentido, busca desenvolver sua pedagogia para formação de sujeitos mais humanizados, autônomos e emancipados, preocupando-se em desenvolver ao máximo as possibilidades de cada criança, reconhecendo pertencerem a uma coletividade, objetivando uma educação para a transformação social, naturalmente interligada pela relação homem e trabalho.  

Tais movimentos de ideias e contraposições em sala de aula se davam à forma de um espiral, como um ciclo que nunca se completa, sempre se renovando. É exatamente nisso que o autor analisado se baseia, na busca de uma educação que não se limite à separação da escola das atribuições da vida trazida pelos alunos, dizendo “não formamos um homem pré-fabricado, mas homens vivos e dinâmicos” (FREINET, 1975, p. 52). Estabelecidos alguns conceitos quanto ao pensamento filosófico e educacional mediados pela atuação de Freinet no universo pedagógico, torna-se imprescindível apresentar o fio condutor que o levou ao ápice de seu trabalho como educador, direcionado para uma pedagogia da transformação, que se materializou como as Técnicas Modernas para Educação utilizadas para consolidar sua visão para a formação humana.

Aula Passeio 

A primeira técnica criada foi a Aula-passeio, considerada por Freinet como sua tábua de salvação diante das dificuldades em manter a atenção das crianças nas leituras cansativas em sala de aula e dos manuais com frases desinteressantes fora da realidade vivenciadas por elas. Essa aula era realizada no campo quando observavam as mudanças ocorridas pelas estações do ano, as flores, pedras, insetos, regato ou mesmo na comunidade da aldeia de Bar-Sur-Loup quando analisavam o trabalho do ferreiro, marceneiro ou tecelão, promovendo o estudo do meio. (FREINET, 1975, p. 23). O principal objetivo dessa aula era elevar a capacidade criadora dos alunos por meio das observações em outras áreas distantes do livro didático, pois, a partir dos novos aspectos observados de forma natural, a argumentação para a escrita de um poema, por exemplo, seria muito mais rica e consistente, principalmente por fazer parte do cotidiano da criança. 

Fonte: Saci 

A Imprensa

A segunda técnica surge a partir da necessidade de um utensílio que traduzisse o texto vivo da aula-passeio, de modo que tornasse interessante e funcional a preparação do próprio texto pelas crianças, com entusiasmo. Surge então, por meio de algum esforço, um utensílio que modifica os dados pedagógicos da aula: a imprensa, para que pudesse manter vivos os textos elaborados com tanta criatividade que estavam esquecidos dentro de um armário – com a impressão dos escritos as possibilidades de expansão da leitura seriam maiores. (FREINET, 1975). 

Texto Livre

Surge, a partir de então, a terceira técnica: Livre Expressão e, consequentemente, Texto Livre, que para Freinet, a instrumentalização para o trabalho na escola, aliada à livre expressão, ativaria, em grandes proporções, a criatividade, o faz de conta, as cores, sons e sonhos, pois, na visão da criança, tudo é luminoso, aéreo, livre e fresco como a água que corre (FREINET, 2004). 

Correspondência Interescolar

Em 1926, cria a quarta técnica: A Correspondência Interescolar, cujas experiências deram lugar à vida nova dentro da escola, liberando poderosa motivação, estimulando a expressão livre dos alunos. A troca de correspondências rendia riquíssimo intercâmbio de culturas, pela troca detalhada de acontecimentos, aguçando de forma entusiástica a curiosidade e a imaginação das crianças. 

O Livro da Vida

A partir da ideia de condensar as abstrações apreendidas pelos alunos, surge a ideia da quinta técnica: O Livro da vida, na forma de um caderno com folhas maiores que o habitual, no qual os alunos registravam suas impressões, sentimentos, pensamentos em formas variadas, se configurando em registros do ano escolar de cada classe.

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